

História Detalhada de Órigo
No princípio, há mais ou menos 14 bilhões de anos atrás, quando existia apenas Demiurgo e Tehom, forças irmãs que encarnavam a ordem e o caos, a criação e a destruição. Do silêncio do vazio do espaço, Demiurgo moldou um planeta cujo núcleo era formado pelas águas do Oceano Infinito — o mar primordial que existe além do espaço-tempo, conectando todas as águas do Universo Primórdio através de portais incontáveis, rios dimensionais e correntes que desaguam em mundos desconhecidos com capacidades místicas e incontáveis. Mas Tehom, a deusa primordial da escuridão e da destruição, não se agradou da criação mais uma vez. Com sua ira, desfez a obra de Demiurgo, e o que restou foi apenas o Oceano Infinito, um abismo áquatico vivo, pulsante, saturado de energia bruta. Suas águas tornaram-se capazes de perpetuar a vida e de aprisionar nela toda potência latente que seu criador lhe concedeu anteriormente.
Foi nesse estado que o eldritch Kthanid, em suas viagens cósmicas, encontrou o que sobrara flutuando no espaço. Reconhecendo naquela vastidão a possibilidade de rivalizar com os Deuses Antigos, Kthanid moldou as energias caóticas unindo-se com parte da essência daquele oceano e fez surgir os Sete Grão-Senhores, entidades de essência eldritch forjadas para a guerra. Entre eles, apenas Tiânia e Misho sobreviveram ao esquecimento, seus nomes preservados pela memória dos feéricos e pela reverência dos ocultistas. Os Grão-Senhores foram postos em confronto direto contra os Deuses Antigos. Da batalha que se seguiu, as hostes cósmicas estremeceram, e um dos Grão-Senhores caiu — sua essência dilacerada, à beira da morte. Ele foi lançado de volta ao Oceano Infinito, onde permaneceu em sono profundo, envolto pelas águas primordiais, nutrindo-se delas em busca de restauração. Com a prisão de Kthanid e dos demais Eldritchs nas profundezas do Purgatório, os Grão-Senhores permaneceram sozinhos, herdeiros daquele mar eterno. E então descobriram como dominar seu poder: aprenderam a purificar suas essências corrompidas ao misturarem as águas do oceano com uma centelha secreta deixada pelo Demiurgo. Dessa alquimia nasceu um novo princípio energético — a energia sábia, que concentra toda a força primordial da natureza. Os Grão-Senhores remodelaram o planeta entorno do oceano, deixando-o como seu “núcleo” vivo e místico, e então nasceu o planeta de Órigo.
Após a criação, os Grão-Senhores repousavam em sono profundo nas águas insondáveis do Oceano Infinito, enquanto a própria criação não cessava de se mover. O núcleo do planeta, saturado pelo mar primordial, começou a rachar lentamente. Das fissuras abertas no ventre da terra, fluxos de energia pura escaparam. Desses vazamentos cósmicos, condensados pela vontade invisível do Órigo, surgiram os primeiros deuses primordiais de Órigo: Awa – a luz viva, o sopro essencial que anima todas as coisas. Em sua presença, germinam a vida, a ordem e a esperança. Seu brilho físico e espiritual: um fogo que concede propósito e desperta consciência. Awa tornou-se a guardiã da continuidade da existência, representante de tudo que era bom e puro. Makô – a escuridão eterna, o caos indomável, o abismo sem fundo que corrói e dissolve. Makô é anterior à forma e à ordem; sua essência é o retorno de todas as coisas ao nada. Ele é a fome, a dissolução e o eterno ciclo de destruição que prepara o caminho para o renascimento. Embora opostos, Awa e Makô não eram inimigos absolutos: cada um só existia em função do outro. Awa não poderia brilhar sem o contraste das trevas, e Makô não poderia consumir sem ter algo vivo para destruir. Eles se tornaram o primeiro equilíbrio dual do Órigo; forças fundamentais, indissociáveis, cujas tensões sustentavam a realidade. Esse par cósmico deu início ao que os sábios feéricos chamam de O Ciclo dos Dois Princípios, um ensinamento que afirma que nenhuma criação é absoluta e nenhuma destruição é eterna. O equilíbrio de Awa e Makô tornou-se o coração de toda existência em Órigo. Os Feéricos antigos acreditavam que quando um ser nasce, uma centelha de Awa acende em sua essência; e quando morre, Makô o acolhe de volta ao Oceano Infinito, dissolvendo-o para que possa um dia renascer.
De Órigo nasceram os Grão Feéricos, mais sutis e maleáveis que os Grão-Senhores, e a partir deles derivou toda a linhagem dos Feéricos, espíritos elementais, encantados e soberanos dos reinos naturais do planeta. Eras depois, quando os ecos da prisão dos Eldritchs já eram apenas sussurros no tecido do cosmo, um grupo reduzido de anjos caídos — exilados das hostes celestes — encontrou o rastro energético do Oceano Infinito. Guiados pela fome de poder e o desconhecido, esses anjos atravessaram os portais ocultos e chegaram ao planeta moldado pelo mar primordial, onde os Grão Feéricos e sua descendência já floresciam. Ali, descobriram as mulheres feéricas, de essência luminosa e natureza moldada pelo Órigo. Movidos tanto pela luxúria e pecado, os anjos caídos se uniram a elas. Dessa união nasceu uma nova raça: os Illiryanos — híbridos de asas negras de couro e sangue feérico, capazes de transitar entre a luz e a escuridão. Os Illiryanos carregavam dons únicos: Das mães feéricas, herdaram a afinidade elemental, a longevidade e a ligação com o Órigo. Dos pais caídos, herdaram asas imponentes, força física superior e fragmentos da chama celeste corrompida. Porém, essa mistura os tornava instáveis: divididos entre a serenidade feérica e a fúria angelical, os Illiryanos jamais encontraram paz interior, buscaram criar seu próprio destino, erguendo fortalezas nas montanhas e desenvolvendo uma cultura marcada pela disciplina militar e pelo orgulho ancestral.
Eras se passaram.
O equilíbrio entre Awa e Makô sustentava a existência de Órigo. Mas Makô, essência do caos e da dissolução, não descansava. Ele sussurrava nas sombras, procurando corromper aqueles que já traziam instabilidade em sua essência. E foi nos Illyrianos que Makô encontrou terreno fértil para plantar sua maldade. Os Illyrianos começaram a se voltar contra os Feéricos, desprezando sua harmonia e sua ligação com o Órigo. Envenenados pelo caos, eles ergueram exércitos e invocaram magias destrutivas. Assim teve início a Grande Guerra de Órigo, uma batalha entre irmãos: Os Illyrianos, guiados por Makô, desejando subjugar o Órigo e absorver todo o poder do Oceano Infinito. Os Feéricos, guiados por Awa, lutando para preservar a vida, a luz e o equilíbrio. A guerra durou séculos, e cada batalha dilacerava ainda mais o coração do planeta. Até que os Illyrianos, dominados pela fúria e pela ambição, conjuraram um feitiço proibido capaz de romper o vínculo de Órigo com o Oceano Infinito. Esse ato final, porém, não trouxe vitória: trouxe ruína. O planeta estremeceu. Órigo, essência vital da criação, foi despedaçado. As florestas secaram, os rios cessaram, os céus se rasgaram em tormentas. A própria vida se dissolveu, e Órigo tornou-se um corpo vazio, sem luz nem poder. Antes do colapso final, Awa, em seu último ato de misericórdia, ergueu sua chama e lançou uma sentença: Os Illyrianos, culpados pela ruína, foram banidos para a Terra. Não em sua forma alada, mas com suas almas despidas e aprisionadas no ciclo humano. Reencarnariam como homens e mulheres mortais, sem memória clara de seu passado, carregando apenas ecos em seus sonhos e em suas dores mais profundas. Mas Awa não foi a única a agir. A Rainha de Órigo compreendeu que o feitiço Illyriano não poderia ser desfeito. Ainda assim, recusou-se a deixar que seu povo fosse apagado da existência. Em sua sabedoria, ela lançou um feitiço espelhado: enviou também as almas dos habitantes de Órigo para a Terra. Não em forma gloriosa, mas em fragmentos sutis, espalhados pela humanidade, entrelaçados na essência dos mortais. Assim, garantiu que, mesmo que Órigo morresse, seu povo jamais deixaria de existir. O feitiço profano dos Illyrianos não apenas quebrou o vínculo de Órigo com o Oceano Infinito — matou o planeta e lançou sua essência ao esquecimento. As águas primordiais que um dia nutriram os Grão-Senhores se tornaram sua prisão. Os sete, que repousavam desde eras antigas, foram petrificados em formas colossais, como monumentos de poder fossilizado. Até mesmo os opostos eternos, Awa e Makô, foram tragados pelo colapso: selados juntos no fundo do oceano, em um abraço petrificado que simbolizava tanto sua união quanto sua eterna disputa.
Na Terra, fragmentos de memórias fluíam como sonhos em corações humanos. Muitos homens e mulheres, sem compreender, recordavam reinos que jamais conheceram, sentiam saudade de mares que nunca viram, e ouvam o chamado distante do Oceano Infinito. Muitos eram semideuses, que portavam consigo as almas dos antigos habitantes de Órigo. Com o tempo, alguns despertaram para sua verdadeira origem. E quando o véu se rompeu, responderam ao chamado. Cruzaram fendas paradoxais abertas pelo poder residual de Makô, viajando entre mundos quebrados como Runeterra, a Terra do Amanhecer e incontáveis realidades instáveis. Enfrentaram ecos distorcidos dos próprios Illyrianos, que haviam deixado rastros de corrupção nos paradoxos. Redescobriram a lembrança dos Grão-Senhores e os cânticos esquecidos do Órigo. Acharam o Lago da Existência, fragmento do oceano infinito, que lhes mostrou sua história ancestral no planeta. E então, em meio às milhares de passagens dimensionais, encontraram o mais antigo e oculto dos portais — um caminho direto ao Oceano Infinito. Os semideuses encontraram o contra-feitiço, reconectaram o núcleo quebrado de Órigo ao mar primordial. O planeta morto respirou novamente. As petrificações dos Grão-Senhores começaram a se fragmentar, e o próprio leito onde Awa e Makô estavam selados tremeu com nova vida. Mas algo maior aconteceu: Os mundos paradoxais criados pela corrupção de Makô se uniram e então nasceu a Nova Órigo. O Oceano Infinito permanece oculto, indestrutível e eterno.
RAÇAS DO PLANETA ÓRIGO

GRÃO-SENHORES: Os Grão-Senhores foram os primeiros seres conscientes moldados do Oceano Infinito pelas mãos do eldritch Kthanid. Criados para rivalizar com os Deuses Antigos, são considerados a primeira raça feérica, de essência bruta e ilimitada. Seres feitos de pura energia feérica, capazes de assumir formas humanoides apenas para interação com outras raças. Sua aparência é mutável: corpos de luz, com feixes, véus e formas que lembram auroras vivas. Em estado de repouso, parecem estátuas translúcidas; em estado ativo, são tempestades de energia viva. Cada Grão-Senhor manifesta uma coloração energética própria, reflexo direto de sua essência no Órigo (Tiânia, verde-luz; Misho, azul profundo). O totalitário de seus poderes são desconhecidos, mas sabe-se que possuem manipulação plena da energias (incluindo a sábia), podendo criar matéria, moldar realidades locais e interferir no fluxo de vida; podem absorver e canalizar energia do Oceano Infinito, tornando-se praticamente indestrutíveis quando em contato direto com ele; sua presença distorce o espaço, fazendo plantas florescerem, águas mudarem de cor e até sonhos se alterarem. Sua energia é puramente mágica, por originalmente ter energia eldritch e tê-la purificado, a magia destes seres é exclusiva. Essencialmente eternos.

GRÃO-FEÉRICOS: Os Grão-Feéricos surgiram quando os Grão-Senhores, ao dominar o poder do Oceano Infinito, purificaram sua essência com a centelha do Demiurgo. Dessa alquimia nasceu o princípio energético que deu origem a esta nova raça. Eles são considerados a nobreza primária do mundo feérico, governantes naturais pela força de sua linhagem. Mais humanizados que os Grão-Senhores: possuem corpos sólidos, mas sua beleza é sobrenatural; Orelhas delicadamente arqueadas, mais sutis que as de “elfos” tradicionais; membros mais longos e elegantes, transmitindo uma presença quase angelical; pele geralmente clara e luminosa, como se refletisse o brilho de estrelas, podendo variar entre várias colorações; diferem dos feéricos inferiores por sua aparência mais "perfeita"; qualquer desvio marcante (traços animalescos, deformidades, pele marcada por energia selvagem) os classifica como feéricos inferiores. Possuem afinidade elemental elevada: dominam os elementos naturais em sua forma mais pura (fogo solar, rios primordiais, ventos celestes, cristalizações da terra). Vivem eras sem envelhecer, mas podem morrer em batalha. Sua presença exerce pressão e fascínio sobre feéricos inferiores, que instintivamente os reconhecem como nobres. Conseguem sentir as correntes de energia do planeta e, em rituais, manipular pequenas aberturas para o Oceano Infinito. Os Grão-Feéricos governavam os reinos feéricos com títulos de reis, rainhas, príncipes e cortes inteiras. Mantinham rígida distinção entre si e os feéricos inferiores, considerando-se os únicos portadores da “verdadeira magia”. Cada família ou casa Grão-Feérica era associada a um domínio elemental ou virtude cósmica. Foram eles que, a partir de sua própria descendência, originaram todos os outros feéricos. Muitos dos Grão-Feéricos mais antigos participaram da Grande Guerra contra os Illyrianos, liderados sob a luz de Awa. A Rainha de Órigo, que selou as almas de seu povo na Terra antes da destruição, era uma Grão-Feérica, assim como sua filha Celeste (reencarnada como Melanie).

FEÉRICOS: Os Feéricos Inferiores descendem dos Grão-Feéricos, mas herdaram formas menos estáveis e mais selvagens. Onde os Grão-Feéricos conservam uma aparência quase humana e “perfeita”, os Feéricos inferiores expressam a energia do Órigo de modo irregular, refletindo diretamente as forças da natureza ou do caos em seus corpos. Extremamente diversos em forma e traços, podem possuir Asas não retráteis (de inseto, morcego, penas, cristalizadas etc.); Escamas (reptilianas, aquáticas ou até cristalinas); Chifres (curtos ou longos, curvados ou retos, lembrando animais ou formações minerais); Olhos luminescentes em cores pouco naturais; Pele com marcas — padrões que brilham como constelações, runas ou nervuras de folhas; Sua variedade os torna fascinantes e temidos, mas também marca a clara distinção social entre eles e os Grão-Feéricos. Cada Feérico inferior nasce vinculado a um aspecto da criação (árvores, rios, tempestades, fogo vulcânico, animais, etc.). Não conseguem controlar energia ou magia de forma tão refinada. Por sua diversidade de formas, conseguem sobreviver em ambientes extremos (submersos, em desertos, montanhas, cavernas profundas). Considerados subordinados aos Grão-Feéricos, serviam em suas cortes como soldados, artesãos, caçadores e servos. Mais próximos da natureza, costumavam venerar diretamente o Origo, sem intermediários. Suas lendas falam do chamado do sangue — o instinto de cada feérico de retornar ao aspecto natural que o originou. São capazes de estabelecer vínculos espirituais com florestas, rios ou até mesmo constelações, tornando-se guardiões locais. Não são eternos, mesmo possuindo grande longevidade, ainda morrem de velhice (cerca de aproximados 300 à 400 anos).

ILLYRIANOS: Os Illyrianos nasceram da união entre anjos caídos e mulheres feéricas. Sua linhagem híbrida herdou tanto a graça dos céus quanto a energia indomável do Órigo, mas também a corrupção sussurrada por Makô. Possuem aparência humanóide alto, de porte atlético; asas negras ou sombrias, não retráteis, marca indelével de sua origem angelical; olhos intensos, em tons que lembram fogo, tempestade ou trevas; alguns exibem traços feéricos discretos (olhos luminescentes, marcas na pele, orelhas levemente arqueadas, em raros casos, chifres). Possuem força física descomunal, superiores aos feéricos inferiores comuns; combinação de energia feérica e chama celestial corrompida, permitindo conjurar feitiços destrutivos e guerrear corpo a corpo; nascem com predisposição para combate, organizando-se em clãs militares; herdaram uma afinidade especial para abrir ou explorar distorções criadas pelo caos. Sua hierarquia é baseada em honra, força e disciplina de guerra; organizados em fortalezas montanhosas, cada clã era regido por um comandante supremo; alguns clãs veneravam Makô como patrono, outros apenas o seguiam por medo e ambição; tinham desprezo pelos Feéricos, a quem consideravam frágeis e inferiores. Foram os instigadores da Grande Guerra de Origo, conduzidos pela malícia de Makô; criaram o Feitiço Profano, que desconectou Origo do Oceano Infinito, destruindo o planeta e petrificando os Grão-Senhores; como punição, foram banidos por Awa para a Terra, onde suas almas passaram a reencarnar em humanos — trazendo à humanidade tanto o potencial da glória quanto a semente da destruição (claro, naqueles que possuem sua centelha em seu interior).
ARTEFATOS DO "UNIVERSO" DE ÓRIGO:
Como o próprio título já fala, são todos os itens/adicionais/moradas que são relacionados ao mundo de Órigo, ganhos em saga ou algum evento exclusivo deste mundo. Absolutamente todos são exclusivos para eventos, nunca compráveis.
História Detalhada de EPEKTASIS

Epektasis; O Mundo da Expansão Infinita, Berço do Devir Cósmico, Forja da Superação Divina, o Espiral da Eternidade.
Após a revelação da verdadeira origem de Órigo, da existência de Kthanid, de Sophia e de Lyrien, o equilíbrio sobre o qual repousava a civilização feérica jamais voltou a ser o mesmo. Os Grão-Senhores Arkaios compreenderam que o primeiro lar dos Feéricos havia cumprido seu propósito, mas também carregava as cicatrizes de incontáveis guerras, da corrupção deixada pelos Deuses Antigos e dos ecos de uma criação incompleta. Não bastava restaurar Órigo; era necessário transcender sua própria ideia. Assim nasceu o projeto de um novo princípio: um mundo que não fosse apenas habitado pela vida, mas que fosse a própria vida.
No ponto onde todas as possibilidades convergiam, onde até mesmo o vazio (espaço) aprendia a obedecer às Grandes Vontades, Serafeyron retornou e firmou-se sobre o Pilar Primordial da Convergência. Sua simples presença fez o universo estremecer. O antigo mundo dos Arkaios foi arrancado de seu eixo, não para ser destruído, mas para ser elevado à sua forma definitiva. Montanhas foram reduzidas à essência do conceito de montanha; oceanos tiveram sua memória destilada; florestas, céus e continentes perderam suas imperfeições e foram reescritos como arquétipos absolutos da própria criação. Cada fragmento daquele mundo tornou-se matéria-prima para algo infinitamente superior.
Os semideuses que habitavam o reino dos Arkaios foram suspensos entre a antiga realidade e aquilo que ainda não existia, incapazes de agir ou interferir. Apenas observavam. Reverência, medo e fascínio misturavam-se enquanto testemunhavam a própria criação sendo refeita diante de seus olhos. Mesmo aqueles distantes daquele domínio — como Lissandra, Amethyst e Finn — contemplaram o fenômeno, tornando-se raríssimas testemunhas do instante em que o universo ousou recriar a si mesmo. Então, um a um, os Sete Grão-Senhores despertaram plenamente seus poderes. Serafeyron cobriu o cosmos com ouro branco e âmbar primordial, fazendo a própria existência recordar a primeira aurora da criação. Misho inundou o vazio com um azul abissal em constante movimento, ensinando ao espaço como fluir e transformando o infinito em corrente viva. Averon gravou leis eternas sobre o nada através de dourado profundo e prata fragmentada, concedendo estabilidade, forma e resistência à realidade nascente. Soltherion manifestou-se como um sol impossível, irradiando fogo cósmico e fazendo o tempo aprender a pulsar, permitindo que ciclos, evolução e energia passassem a existir. Lysandriel fez florescer um verde impossível, condensando toda a promessa da vida, da continuidade e do futuro em um único instante. Seren envolveu o universo em lilás etéreo e prata translúcida, tecendo a eternidade como memória absoluta, impedindo que aquilo que fosse criado pudesse um dia ser completamente apagado. Por fim, Perenni ergueu-se envolto em azul astral e violeta consciente, concedendo identidade, emoções, consciência e livre-arbítrio ao que até então era apenas potencial. Quando os Sete Pilares se alinharam — Sete Arkaios, Sete Grão-Senhores e Sete Heptarcontes — o tecido do cosmos abriu-se em perfeita harmonia. Não foi uma ruptura caótica, mas uma aceitação solene. Conceitos fundiram-se, leis amadureceram instantaneamente e um novo ramo da própria existência surgiu diante do universo. Continentes solidificaram-se como pensamentos divinos. Oceanos foram derramados em silêncio absoluto. Os céus dividiram-se em múltiplas camadas refletindo cada Grande Vontade, enquanto estrelas acendiam como testemunhas eternas daquele nascimento.
Assim surgiu Epektasis. Não apenas um planeta, mas uma existência singular, colossal e irrepetível. Seu primeiro giro fez todo o cosmos estremecer, não pelo medo, mas pelo reconhecimento de que algo jamais visto havia finalmente sido concebido. Os próprios Heptarcontes envolveram o recém-nascido mundo com seus poderes pseudo-onipotentes. Toda forma de localização, previsão, consciência cósmica, manipulação do destino ou percepção absoluta tornou-se incapaz de encontrá-lo. Não havia coordenadas a serem rastreadas, linhas do destino a serem lidas nem memória cósmica que registrasse sua posição. Epektasis permaneceu oculto do restante da criação, existindo além dos mapas da realidade, protegido por um véu impossível de ser atravessado.
Foi então que Serafeyron pronunciou o primeiro decreto daquele mundo. "Semideuses... Vocês foram arrancados do fluxo comum da existência para testemunhar aquilo que raramente até os deuses contemplam. Diante de seus olhos nasceu um Novo Mundo, forjado na convergência absoluta e selado por vontades que sustentam o próprio cosmos. Gravem este instante em suas essências, pois ele jamais se repetirá. Contemplem não apenas um planeta, mas um princípio vivo; um destino que jamais conhece um fim; a manifestação da evolução eterna além de todos os limites conhecidos... Epektasis." Quando suas palavras cessaram, os Sete recolheram gradualmente as forças que sustentavam a Convergência. As manifestações cósmicas comprimiram-se até assumirem formas de poucos metros de altura, ainda divinas, porém suficientemente próximas para caminharem sobre aquilo que haviam criado. Em perfeita sincronia, deixaram os pilares e desceram lentamente até a superfície virgem do planeta. Quando seus pés tocaram o solo, não houve impacto. O próprio mundo respirou. Naquele instante, Epektasis despertou. Sua terra passou a pulsar como carne viva; suas montanhas respiravam; rios e oceanos reagiam às emoções do próprio planeta, enquanto sua atmosfera era preenchida por energia vital. Em seu centro nasceu a monumental Árvore-Coração de Epektasis, cuja copa atravessava dimensões e cujas raízes alcançavam planos físicos, espirituais e conceituais. Alimentada permanentemente pelo Poder dos Sete, tornou-se o coração biológico e metafísico do planeta.
Ao redor dela começaram a surgir casulos orgânicos, espalhando-se pelas florestas, montanhas, cavernas e até mesmo pelo fundo dos oceanos. Desses úteros planetários nasceriam os novos Feéricos e Grão-Feéricos, moldados diretamente pela consciência de Epektasis. Não seriam habitantes comuns, mas extensões vivas do próprio planeta, reconhecidos como células de um único organismo. Desde então, cidades deixaram de ser construídas e passaram a ser cultivadas. Moradias cresceram como organismos simbióticos. Estradas moviam-se conforme a vontade do mundo, enquanto portais vivos floresciam como raízes dimensionais capazes de conectar Epektasis a incontáveis planos da criação. Apenas aqueles aceitos pela consciência planetária poderiam atravessá-los. Mais do que um lar, Epektasis tornou-se um ciclo eterno. A morte deixou de representar um fim absoluto, pois a Árvore-Coração passou a restaurar essências, reconstruir corpos e reconvocar consciências sempre que o próprio planeta reconhecesse aquele ser como parte de si. Na ausência dos Grão-Senhores, Epektasis assumiu seu legado. Não apenas como a sucessora de Órigo. Mas como sua evolução definitiva. O primeiro mundo verdadeiramente vivo da criação. O coração eterno da civilização feérica. E a manifestação absoluta do significado de seu próprio nome:
Epektasis — o eterno avançar além de todos os limites.











